quarta-feira, 19 de março de 2014

FAMÍLIA E REPRESSÃO



Ao ler qualquer livro de Jonathan Franzen, uma sensação um pouco perturbadora toma conta de qualquer leitor que não seja absolutamente passivo a obra: Franzen escava a vida de seus personagem com mais coragem do que nós somos capazes de ter para olhar o nosso interior. Além disso, ainda é capaz de levar em consideração todo o contexto social que envolve as vidas das pessoas de dentro de suas narrativas. Ele as coloca no centro de polêmicas borbulhantes mundo afora e descreve o ambiente não apenas como um cenário, mas sim como um agente ativo na composição da psique de cada um deles.


quarta-feira, 12 de março de 2014

"KAISER"



Quando se começa a tentar entender a concepção da palavra “estilo” dentro do microcosmos da moda, o primeiro nome e, por sinal, o mais clichê que nos vem a cabeça é imediatamente o de Gabrielle Bonheur Chanel. Talvez a francesa mais importante para a história da Alta Costura, ela ajudou – com o desenvolvimento de seu trabalho sólido e pretensioso como estilista e costureira durante grande parte do século XX – a definir o que é essa palavra tão batida atualmente por revistas, sites e outras diversas plataformas de comunicação.

sábado, 8 de março de 2014

O TERRÍVEL É SUBLIME


Na França, a Alta Costura é um orgulho nacional. O termo “Haute Couture” é “patenteado” pela câmara sindical do segmento. Para conseguir se incluir nesse seleto grupo de ateliers extremamente refinados, uma série longa de requisitos deve ser preenchida. Basicamente, tudo deve ser feito inteiramente a mão, as clientes devem concluir algumas sessões de prova das peças que vão comprar, entre muitas outras regras. Pouquíssimas pessoas no mundo tem dinheiro o suficiente para realmente consumir Alta Costura. É por esse motivo que, em geral, ela não é mais uma atividade diretamente lucrativa. O status quo que a Alta Costura agrega para a maison é o que realmente vende. Vende perfume, acessórios e entre outros produtos mais acessíveis que atingem vendas estrondosas e sustentam o mercado do mais alto luxo.


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

THE GIRL OF "GIRLS"

CONTÉM SPOILERS

Recentemente, começou a terceira temporada da série “Girls” – que vai ao ar mundialmente pela HBO– e garantiu, novamente, a Lena Dunham – criadora, roteirista e diretora da série – uma nova estadia no foco dos holofotes da mídia especializada. Por essa razão ela saiu, como todas as garotas nessa situação, extremamente retocada na capa da última edição da principal revista de moda do mundo – a Vogue America, da consagrada diaba Anna Wintour. O debate, então, reacende:  Lena/Hannah – sua personagem alter-ego na série – é quem somos, nos representa, ou é, na verdade, quem gostaríamos de ser?

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

CONTO: CABELO - PT.2 - FINAL

Dentro do seu peito sentiu alguém ficar assustado com aquele fenômeno. Contudo, esse alguém ou essa parte de seu ser não se manifestou externamente. Sua expressão manteve-se estática. Observava aquele horror e encarava-o como uma manifestação natural. A sua natureza a assustava, mas ela continuou quieta. Aos poucos o terror foi se esvaindo e dando lugar a um conformismo alienante. Ela não se importava mais, foi se entregando aquele cabelo que crescia involuntária e vagarosamente de seu couro cabeludo. Seus fios nunca pareceram tão fortes. Ela decidiu tocar os cabelos novamente pela primeira vez. Tocou a virgindade dos novos folículos próximos à cabeça. Sentiu-se exposta, auto-flagelada, mas sentiu prazer. Todo o arrepio que poderia se espalhar deliciosamente por todo seu corpo concentrava-se nos fios de cabelo que, certamente, agora tinham terminações nervosas fervorosas. Ela sentia as pontas dos seus fios, era como se todo o cabelo tivesse adquirido tato. Ao mesmo o seu corpo foi perdendo esse sentido: amolecia e formigava das extremidades até os órgãos em uma cadência rítmica e intensa, apesar de demorada e insistente.