quarta-feira, 2 de abril de 2014

SPFW: GIULIANA ROMANNO


O desfile da estreante Giuliana Romanno na São Paulo Fashion Week tinha ares desérticos. De diversas formas, o conceito de aridez se revela nessa coleção que não tem nenhum rastro de imaturidade. Pelo contrário, o estilo de Romanno se coloca na passarela de maneira sólida, direta e concentrada. Sem afetações teatrais, a estilista apresenta uma moda que consegue pontear o comercial e o conceitual: tarefa árdua, mas exequível. Mesmo mantendo as roupas no patamar do “usável/vestível”, sua abordagem não é simplista. Os recortes acontecem em posições estratégicas e não se restringem a obviedade de uma fenda na perna. As texturas também são bem trabalhadas, algumas vazadas e outras brilhantes sem atrapalhar no caimento das peças.

terça-feira, 1 de abril de 2014

SPFW: JOÃO PIMENTA

A primeira imagem que se configura na passarela limpa e sem cenário do desfile de João Pimenta na São Paulo Fashion Week é impactante, apesar de não ser inovadora. Um menino de longas madeixas escuras com rosto de menina anda timidamente como quem não é modelo há muito tempo. Ele nos lembra das raízes do trabalho do estilista que começou na Casa de Criadores, evento que envolve profissionais jovens que podem explorar mais possibilidades criativas. Nessa época, Pimenta ficou conhecido por trabalhar com elementos da androgenia. Vestidos, saias e tantos outros recursos, como bordados e transparências, feminilizavam a imagem final das roupas produzidas por João.

quarta-feira, 19 de março de 2014

FAMÍLIA E REPRESSÃO



Ao ler qualquer livro de Jonathan Franzen, uma sensação um pouco perturbadora toma conta de qualquer leitor que não seja absolutamente passivo a obra: Franzen escava a vida de seus personagem com mais coragem do que nós somos capazes de ter para olhar o nosso interior. Além disso, ainda é capaz de levar em consideração todo o contexto social que envolve as vidas das pessoas de dentro de suas narrativas. Ele as coloca no centro de polêmicas borbulhantes mundo afora e descreve o ambiente não apenas como um cenário, mas sim como um agente ativo na composição da psique de cada um deles.


quarta-feira, 12 de março de 2014

"KAISER"



Quando se começa a tentar entender a concepção da palavra “estilo” dentro do microcosmos da moda, o primeiro nome e, por sinal, o mais clichê que nos vem a cabeça é imediatamente o de Gabrielle Bonheur Chanel. Talvez a francesa mais importante para a história da Alta Costura, ela ajudou – com o desenvolvimento de seu trabalho sólido e pretensioso como estilista e costureira durante grande parte do século XX – a definir o que é essa palavra tão batida atualmente por revistas, sites e outras diversas plataformas de comunicação.

sábado, 8 de março de 2014

O TERRÍVEL É SUBLIME


Na França, a Alta Costura é um orgulho nacional. O termo “Haute Couture” é “patenteado” pela câmara sindical do segmento. Para conseguir se incluir nesse seleto grupo de ateliers extremamente refinados, uma série longa de requisitos deve ser preenchida. Basicamente, tudo deve ser feito inteiramente a mão, as clientes devem concluir algumas sessões de prova das peças que vão comprar, entre muitas outras regras. Pouquíssimas pessoas no mundo tem dinheiro o suficiente para realmente consumir Alta Costura. É por esse motivo que, em geral, ela não é mais uma atividade diretamente lucrativa. O status quo que a Alta Costura agrega para a maison é o que realmente vende. Vende perfume, acessórios e entre outros produtos mais acessíveis que atingem vendas estrondosas e sustentam o mercado do mais alto luxo.